O final de “I am a Hero” decepciona apesar de início promissor

Embora seja leitor e colecionador de quadrinhos há décadas, gastando mais dinheiro com isso do que tenho coragem de admitir, seleciono com muito critérios as obras que compro, especialmente aquelas compostas por uma grande coleção de volumes, como é o caso “I am a Hero”. A obra de Kengo Hanazawa, que possui 22 volumes, foi recentemente concluída pela Panini após três anos de publicação. Então dá para afirmar com certa segurança que se trata de uma obra longa.

Mas mesmo assim não tive muitas dúvidas para começar sua coleção. Além da temática zumbi, fui atraído também pelos bons reviews que o primeiro volume angariou.

O início foi altamente recompensador. O tom estabelecido se aproximou ao de uma road-trip de ritmo frenético, pincelada de altas doses bizarrice que somente os japoneses sabem fazer. Os zumbis na obra, chamados de ZQN, se diferenciam do estereótipo da cultura popular por poderem se fundir entre si, compartilhando sentimentos, lembranças e uma consciência coletiva que permite que se comuniquem entre si.

Enquanto o foco se manteve na luta pela sobrevivência do protagonista Hideo Suzuki e de sua companheira de viagem, Hiromi, a obra se saiu muito bem. Até o apocalipse se desabar sobre a sociedade mundial, Hideo sempre foi um covarde. Emocionalmente retraído e tímido (como é muito comum em protagonistas de mangás), ele manifestou enorme fibra e disposição ao fugir incólume de todo o caos que se seguiu. Ao se juntar a Hiromi e, logo depois, a Yabu Oda, ele também se superou em garantir a segurança de todos. Sob esse enfoque, a série só melhorava.

Nunca fui um daqueles leitores que esperavam que tudo fosse ser explicado ao final, ou mesmo que a humanidade prevalecesse e a ordem se restaurasse. Mas o que eu espero de qualquer narrativa é um senso de propósito, de evolução, enfim, que o final não seja apenas um amontoado de acontecimentos que se encerra em algum momento aleatório. A exceção de Hideo, Hiromi e Yabu, todos os personagens são desnecessários e causaram zero impacto na obra como um todo.

Serei mais criterioso nas minhas próximas coleções.

I AM A HERO VOL. 22

De Kengo Hanazawa

Panini, 2021

Avaliação: 2.5 de 5.

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